Após denúncia de estupro, boate cancela contrato com segurança

Com informações de 
JULIANNA GRANJEIA e ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

A assessoria da boate Kiss & Fly --onde uma estudante disse ter sido estuprada por um bombeiro civil no sábado (18)-- informou na noite desta terça-feira que cancelou o contrato com a empresa K&F, responsável pela segurança do local.
Jefferson Coppola-29.mai.10/Folhapress
Ambiente da casa noturna Kiss and Fly, que fica dentro da loja de luxo Daslu, em SP
Ambiente da boate Kiss & Fly, dentro da Villa Daslu, em SP
A gerente da empresa, Karina Gomes, disse em entrevista publicada na edição Folhahoje (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita aFolha) que a jovem estava 'bem sóbria' quando teve relações sexuais com o bombeiro sobre Luciano Ferreira, 32.
"Eu acredito na versão dele. Ele errou? Errou. Caiu na tentação, estava no horário de trabalho. Caiu no descuido, teve dois minutos [errados] na vida dele", disse a gerente.
Ainda segundo a gerente, em frente ao banheiro onde ocorreu a relação sexual, havia dois seguranças que não perceberam nada de errado e também não foram acionados pela vítima e que Ferreira sempre foi correto no trato com as clientes.
A assessoria da boate informou que a conduta da empresa não condiz com a conduta da boate. Procurado pela reportagem, o advogado da empresa K&F não foi localizado.

O suspeito do crime foi preso horas depois do ocorrido. Ele diz ter mantido relações com a garota, mas alega ter sido um ato consensual.
Ferreira foi preso por estupro de vulnerável porque, para o delegado, a vítima não tinha condições de discernir o que estava acontecendo. Procurada, a família do bombeiro não quis comentar o caso nem indicou qual advogado irá defendê-lo.
A moça não se lembrou, por exemplo, que antes de chegar ao ambulatório foi encontrada por uma segurança da boate passando mal no banheiro feminino da casa.
"[Ela] Se recorda que estava na pista dançado e, de repente, estava no ambulatório", diz no depoimento.
Em entrevista à Folha, a mãe da jovem --que preferiu não se identificar-- disse desconfiar de que alguém tenha colocado droga na bebida da estudante.
"O que a polícia fala é verdade, minha filha estava em um situação vulnerável, estava sendo atendido [quando foi estuprada]. Ela não tem o costume de beber e, pelo que conversamos, colocaram algo na bebida dele porque ela não bebeu tanto para ficar no estado em que ficou", afirmou.
A mãe também disse que a filha não conhecia Ferreira e que ela está sendo medicada contra doenças sexualmente transmissíveis.
Segundo o chefe de segurança da boate, William Fragnan, quando a segurança levava a jovem para ambulatório, o bombeiro surgiu para ajudar.
Ferreira teria, então, pego a estudante no colo para carregá-la ao atendimento.
Ainda segundo versão da vítima, ela percebeu a presença do bombeiro quando ele passava as suas "partes íntimas" na cabeça dela. Mas que "não conseguia ter discernimento do que estava acontecendo", tentava mas não conseguia entender.
Ela afirma que vomitou em razão da bebida e, nesse momento, foi levada para um banheiro por Ferreira.
Lá, ainda segundo a vítima, ele trancou a porta e a violentou. A estudante disse que chegou a indagar o que teria ocorrido, ao perceber sua calça arriada, e que ouviu de Ferreira que "não tinha acontecido nada".
A Kiss and Fly fica dentro da Villa Daslu. A casa não explicou por que o bombeiro permaneceu sozinho com a cliente no ambulatório. E, ainda, se no local não existem funcionários ligados à área da saúde.
Em nota, a empresa disse que "nunca aconteceu nada parecido na casa, que conta com uma equipe completa e experiente de segurança" e que fará todas as mudanças necessárias para melhorar sua segurança do local.

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