POLÍTICA NACIONAL: Chalita é prioridade de Temer para 'ressuscitar' PMDB em SP

O vice-presidente da República Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, tem como maior objetivo eleitoral em 2012 fazer do deputado federal recém-chegado ao seu partido, Gabriel Chalita (SP), prefeito de São Paulo.

Entrou de corpo e alma na campanha e é o principal responsável pela estratégia política e articulação com os aliados. Temer considera a eleição paulistana de 2012 a ressurreição do PMDB no Estado e sua redenção, após quase duas décadas assistindo a legenda esmorecer sob o comando absoluto do ex-governador falecido e desafeto Orestes Quércia.

Assim, toda a estratégia e negociação com aliados passam por ele. Pôs como primeiro objetivo garantir o maior tempo de televisão possível a Chalita, o que explica o estágio avançado de conversas com o deputado estadual paulista Campos Machado, que controla o PTB paulista; com o deputado federal Paulo Maluf, que controla o diretório regional do PP; e com o DEM do senador Agripino Maia (RN).

Há expectativa ainda de levar o PDT e o PCdoB, embora seja mais provável que esses fechem com o PT. O PR praticamente está com os petistas. E o PPS com o PSDB.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD), por enquanto, tem garantido o PSB e o PV. Os peemedebistas avaliam que o PSB questiona a migração de Chalita para o PMDB, reivindicando seu mandato, porque estarão em campos opostos agora. Isso a despeito de Temer e o presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, terem feito um acordo pelo qual o PSB não incomodaria Chalita, ao passo que o PMDB não questionaria o mandato do deputado Thiago Peixoto (GO), que pode deixar o PMDB rumo ao PSB.

Temer também está empenhado em fazer o PT desistir de lançar candidatura, em troca do apoio pemedebista a um candidato petista ao governo paulista em 2014.

O tema foi tratado há alguns dias em São Paulo entre ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é simpático à ideia, junto com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP). A maior parte do diretório petista do município de São Paulo, porém, é contra.

O vice-presidente também opina sobre o candidato a vice-prefeito ideal para Chalita e os melhores adversários a enfrentar. Acha que o deputado representa uma classe média urbana paulistana e, por essa razão, é necessário dar um viés mais social à chapa, como uma mulher ligada aos movimentos sociais. Sobre os adversários ideais, acredita, são os veteranos e ex-prefeitos José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PT).

A justificativa é de que as pesquisas internas que lhe chegam dizem que ambos têm índice de rejeição superior a 50% e que o eleitor paulistano quer novidade em 2012. Nessa linha, os piores adversários são o ministro Fernando Haddad (PT) e o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB). O sobrenome do avô do tucano, aliado à máquina do governo paulista, chega a assustar mais, mas um confronto de gestões na área da educação com Haddad também pode levantar buracos tanto para um quanto para outro.

Chalita, contudo, sente-se confortável para o debate e já pediu ao líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), para relatar no segundo semestre o projeto de lei de responsabilidade educacional que, assim como o Plano Nacional da Educação de Haddad, deverá traçar metas para o setor e --a diferença-- prever punições aos administradores que não as alcançarem.

Além dessas articulações, tem passado pelo gabinete de Temer no Palácio do Planalto em Brasília toda a estratégia da pré-campanha e da campanha de Chalita. O vice-presidente avalia que seu candidato possui uma blindagem natural contra ataques de petistas e tucanos, o que abre caminho para fugir da federalização e da estadualização da disputa que marcou as últimas eleições na cidade.

O motivo é que Chalita foi secretário da Juventude e depois da Educação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), entre 2001 e 2006, com o qual mantém relações pessoais. No entanto, após desentendimentos com o ex-governador José Serra (PSDB), migrou para o PSB e em seguida para o PMDB, onde se aproximou do governo federal. Assim, atacá-lo poderia significar criticar o governador paulista.

Os petistas também não se sentiriam confortáveis, pois Chalita se aproximou da presidente Dilma Rousseff já durante a campanha em um momento crucial, quando a campanha adversária passou a questionar seu posicionamento em relação ao aborto. Muito ligado à Igreja Católica, Chalita atuou para diminuir a temperatura entre os religiosos. Além disso, sendo candidato do partido do vice-presidente, uma crítica a ele poderia ser interpretada como ataque ao PMDB, o principal aliado em nível federal. Nesse sentido, a campanha deveria ser focada basicamente em temas municipais, "bairro a bairro".

A estratégia já começará a ser posta em prática em agosto, quando o partido quer inaugurar a Casa São Paulo, órgão ligado à Fundação Ulisses Guimarães, o instituto de estudos e pesquisas da legenda. Com a ajuda de especialistas em cada setor, ela será responsável por fazer levantamentos sobre pontos críticos da cidade. Já foram convidados o economista Delfim Netto; o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge; o presidente do Grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa; o médico Raul Cutait; o ex-presidente da Fundação Abrinq, Rubem Naves; e o empresário Sérgio Habib.

A candidatura do PMDB em São Paulo já tem até o provável marqueteiro: o mineiro Paulo Vasconcelos, que atua para o PSDB mineiro. Já fez campanhas para o senador Aécio Neves (PSDB) e para o governador de Minas, Antonio Anastasia. Entretanto, há conversas em andamento também com João Santana, responsável pelas campanhas de Lula em 2006 e Dilma em 2010.

Fonte: Folha Uol

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