DEM leva vídeo contra PSD à Justiça Eleitoral

Depoimentos de eleitores do interior do Tocantins indicam que partido de Kassab trocou cesta básica por assinaturas


A ministra Nancy Andrighi, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu ontem à noite ouvir o Ministério Público Eleitoral sobre o requerimento do DEM para que seja incluído no processo de registro do PSD um vídeo mostrando a suposta troca de assinaturas em apoio à criação do partido por cestas básicas. O caso foi revelado por reportagem do Estado publicada na quinta-feira.


A ministra também pediu parecer sobre um pedido do PTB para que sejam anuladas decisões de dez Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) favoráveis ao registro do PSD. Com isso, está cada vez mais apertado o prazo para aprovação do partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Faltam três semanas para a data limite para o partido disputar as eleições de 2012.
O Ministério Público já deu demonstrações de que, na sua opinião, há problemas no processo. "A situação é absolutamente irregular", disse a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau. Em parecer encaminhado ao TSE na quinta-feira, ela defendeu o veto ao registro do PSD se não forem sanadas as supostas irregularidades. Segundo ela, inquéritos instaurados em São Paulo, Bahia, Rio e Distrito Federal apuram suspeitas de fraudes na coleta de assinaturas.
Ontem, Nancy passou o dia conferindo as certidões dos cartórios sobre a autenticidade das assinaturas em apoio à criação do PSD. Para criar uma legenda, são necessárias 492 mil assinaturas. Pelas regras eleitorais, para ter candidatos em 2012 o PSD tem de ser criado um ano antes da eleição, em 7 de outubro.
Cestas. O vídeo enviado ao TSE pelo DEM mostra depoimentos de eleitores de São Salvador do Tocantins que dizem ter assinado a lista do PSD em troca de cestas básicas. Também há relatos de eleitores de Crixás confirmando o uso desse método.
A aposentada Floripe de Souza Póvoa, de São Salvador do Tocantins, conta que várias pessoas receberam as cestas e tiveram de assinar um documento. Em entrevista ao Estado, Floripe afirmou desconhecer que o documento era do PSD e que foi dito aos moradores se tratar de um cadastro do governo do Estado.
O PSD nega envolvimento com a manobra e diz defender a punição de eventuais culpados. Citada pelos eleitores, a senadora Kátia Abreu (TO) afirma "não compactuar" com a troca de alimentos por assinaturas. O governo do Estado diz ter enviado as cestas básicas para associações de moradores, e não a políticos.
Defesa
Em nota, o advogado do PSD, Admar Gonzaga, nega irregularidades na coleta de assinaturas do partido pelo País. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não falou sobre o caso.
Fonte: Estadão

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